Crítica CinemaPega Essa DicaPega Essa NovidadeTv Pega Essa

Pega Essa Dica- Branca de Neve

Finalmente esta entre nós o tão aguardado live-action de Branca de Neve. O filme apresenta breves momentos de encanto, sustentados quase exclusivamente por Rachel Zegler. A atriz entrega uma performance carismática e envolvente, equilibrando com naturalidade a doçura e a determinação da protagonista. Ela revitaliza a personagem e sua inesquecível voz adicionam um charme especial às canções, tornando-se um dos elementos mais cativantes da produção. No entanto, nem mesmo seu talento é capaz de salvar um longa repleto de falhas.

A direção de arte opta por uma abordagem mais artificial com os animais, que ao invés de transportar o público para um mundo encantado, mais afasta do que imerge.
Seus modelos digitais soam artificiais, dificultando conexão emocional com os personagens. Essa estética inconsistente se estende aos cenários excessivamente digitalizados, mas que consegue se destacar comparado aos animais.
Os anões entram como figuras mágicas após a grande polêmica de que não estariam presentes no filme. Embora não tenham acertado muito na execução do design dos anões, ainda conseguem trazer um pouco das nostalgia e encanto em um dos melhores e mais nostálgicos momentos do filme, a canção que cantam enquanto trabalham nas minas.

Além dos problemas técnicos, a caracterização da própria Branca de Neve decepciona. O figurino e a maquiagem falham em capturar o encanto clássico da personagem e chegam a desvalorizar a propria beleza de Rachel, resultando em um visual desagradável. A troca frequente de perucas ao longo do filme é perceptível e distrai o espectador, evidenciando uma falta de cuidado na continuidade visual. Pequenos detalhes como esses acumulam-se, prejudicando a construção da protagonista e tornando difícil enxergar nela a clássica princesa dos contos de fadas.

Se Rachel Zegler brilha, o mesmo não pode ser dito de Gal Gadot como Rainha Má. Sua interpretação monótona carece da dramaticidade e do carisma necessários para dar vida a uma vilã tão icônica. Ao invés de uma figura imponente e intimidadora, sua Rainha soa caricata e pouco ameaçadora, comprometendo um dos pilares da história. A situação se agrava ainda mais em sua performance musical, que protagoniza uma das cenas mais constrangedoras do filme. A tentativa de imprimir grandiosidade na personagem resulta em um espetáculo de exagero sem substância, tornando difícil levar a vilã a sério.

No quesito trilha sonora, as novas canções carecem de identidade própria e acabam facilmente ofuscadas pelas icônicas músicas da animação original. A exceção fica por conta de Waiting on a Wish, que consegue se destacar positivamente. No entanto, no geral, a trilha falha em deixar uma marca memorável, tornando-se apenas mais um elemento apagado dentro da narrativa.

O roteiro, por sua vez, é um dos maiores pontos fracos do filme. Sem profundidade ou coesão, a história se perde em cenas desnecessárias e apresenta um desenvolvimento superficial que não consegue construir uma trama envolvente. Diversas questões são introduzidas ao longo da narrativa e simplesmente abandonadas sem explicação, deixando a sensação de que o enredo se dispersa em múltiplas direções sem nunca realmente encontrar um caminho sólido. Os personagens secundários sofrem com essa falta de atenção, como o bando de ladrões, que são pouco mais do que figuras de fundo sem qualquer relevância para a trama.

Embora algumas atualizações tentem modernizar a história e dar mais autonomia à protagonista, a execução falha em dar peso a essas mudanças. O filme nunca consegue justificar sua própria existência, resultando em mais uma adaptação live-action esquecível da Disney. Entre um roteiro fraco, visuais inconsistentes e uma execução frustrante, Branca de Neve não consegue recapturar a magia da animação original.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *